Mas o tempo avança sem olhar para trá;s, impõe sua vontade a todas as criaturas e deixa marcas de mudança e renovação. Essa é sua única maneira de suportar o tédio da eternidade. Certas criaturas se consomem, outras se renovam; algumas morrem, outras vivem; algumas sorriem para a juventude, outras perdem o vigor com a idade; existem as que se abrem para a beleza e o saber, enquanto outras lamentam o passar do tempo.”Um dos maiores referenciais da literatura á;rabe e Prêmio Nobel de Literatura de 1988, Nagib Mahfuz publicou sua primeira novela aos 28 anos. O JOGO DO DESTINO (Abath Al-Aqdar), considerado um dos seus mais impressionantes trabalhos, faz parte de um projeto de 30 novelas, jamais terminado pelo escritor. A idéia era cobrir toda a história egípcia, desde os tempos faraônicos até a invasão inglesa, no século XIX. Entretanto, no decorrer da terceira novela — Kifah Tibah, de 1944 — Mahfuz voltou o foco de seu interesse para o presente e se dedicou a escrever romances com temas sociais, ao mesmo tempo em que vá;rios roteiros para a indústria cinematográ;fica de seu país.Com uma obra de 30 novelas e 13 coleções de contos prestigiados por milhões de leitores no oriente, Mahfuz é o escritor mais popular do Egito, sempre voltando seu talento literá;rio para o universo á;rabe. Em O JOGO DO DESTINO, ele relata a história de três irmãos: Dedef um soldado fiel ao seu soberano, Nafa artista plá;stico ocupado com a elite e Khana, um sá;bio sacerdote. Na tradição da literatura á;rabe, Mahfuz nos faz refletir sobre o papel do soldado que ao ignorar a sabedoria é como um animal fiel; do artista que procura extrair a essência das coisas através da beleza, e do sá;bio que sempre busca o conhecimento e morre ignorante. Um estudo do trabalho de Nagib Mahfuz mostra que sua ficção passou por três fases distintas. A primeira, entre 1939 e 1944, compreende três romances sobre o Antigo Egito, entre esses, O JOGO DO DESTINO, escritos sob a influência das novelas históricas de Sir Walter Scott. Os livros traçam um paralelo entre a ocupação inglesa do Egito — fato vivenciado pelo próprio Nagib — e a luta dos antigos faraós contra outros povos do deserto e margens do Nilo.A segunda fase coincide com o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, com a publicação de O novo Cairo (Al-Qahira Al-Jadihah). É; nesse período que Mahfuz escreve sua famosa trilogia (1956 e 1957), trabalho que despertou o interesse da crítica para sua escrita. Nele, o autor narra as aventuras e desventuras de vá;rias gerações de uma família de comerciantes. Seus sucessos, fracassos, amores e dissabores, uma parte importante da história social do Egito. Após seu lançamento, no entanto, Mahfuz ficou exatos sete anos sem escrever. O hiato na carreira de Mahfuz só termina em 1959, quando publica, dividido em capítulos num jornal diá;rio, Os meninos do nosso bairro (Awlá;d Há;ratina). A importância de Mahfuz para o gênero romance pode ser medida pela maneira como a Academia Sueca o saudou, ao lhe entregar o Nobel de Literatura: “Com um trabalho rico em nuanças, ora claramente realístico, ora evocativamente ambíguo, ele fundou uma arte narrativa á;rabe que vale para toda a humanidade”.Nagib Mahfouz nasceu no Cairo em 1911. Formado em Filosofia, trabalhou como funcioná;rio público até se aposentar, aos 60 anos. Laureado com o Prêmio Nobel de Literatura em 1988, foi jurado de morte por extremistas islâmicos, no ano seguinte. Em 1994 sofreu um atentado no Cairo, onde vive. Suas obras Noites de mil e uma noites; Entre dois palá;cios e O jardim do passado foram publicadas no Brasil.
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