A CONTORCIONISTA MONGOLRoberto Muggiati Um (anti) herói quixotesco que se esconde do mundo num apartamento do hotel Quitandinha. Uma contorcionista mongol com ares de Mata Hari. E um sinistro atirador de facas da Transilvânia. Esse é o estranho trio de A CONTORCIONISTA MONGOL, que transporta o leitor desde a Serra de Petrópolis até as montanhas do Tibet, passando por Paris e por um campo de treinamento na Suíça - onde os guerrilheiros pertencem a organizações, como a Frente de Libertação dos Anões de Jardim e os arremessadores de tortas da Brigada Internacional dos Confeiteiros.Além de descrever as obsessões do corpo - sexual, gastronômica, etílica -, a visão politicamente incorreta da mulher fatal, do amor bandido, A CONTORCIONISTA MONGOL tem um enredo com múltiplas saídas: como um Quixote embriagado com os romances de cavalaria, não teria o herói fantasiado todos estes lances de espionagem? Chegou realmente a viajar ao Tibet ou ficou para sempre no Quitandinha? E vai, ou não vai morrer no final? Tudo isso fica em aberto, para ser resolvido de uma maneira diferente na cabeça de cada leitor.Antes de lançar-se na ficção, Roberto Muggiati publicou onze livros, a maioria sobre música, especialmente jazz. Ele admite que cinqüenta anos de jazz influenciaram seu jeito de escrever e, nos ritmos de sua prosa, procura evocar a sintaxe dos favoritos como Chet Baker, Billie Holiday e Helen Merrill. Outro jogo de Muggiati - inspirado nas citações que os jazzistas fazem durante seus improvisos - consiste em colocar em seu texto "cacos" de escritores conhecidos. Entre eles Kafka, Dostoievsky, Henry Miller, Fernando Pessoa, Hemingway, Fitzgerald, Cortazar, Nabokov e, claro, Hammett e Chandler. Vale até como um teste, para o leitor de formação literária, identificar estas citações ao longo do livro. E são, também, segundo o autor, uma espécie de homenagem aos escritores que o acompanham desde a infância. Roberto Muggiati tem 62 anos, 46 de jornalismo. Nasceu em Curitiba, começou a trabalhar na Gazeta do Povo em 1954 e sua primeira edição extra foi a do suicídio de Getúlio. Passou dois anos em Paris (1960-62) como bolsista no Centre de Formation des Journalistes e três anos em Londres (1962-65), trabalhando no Serviço Brasileiro da BBC. De volta ao Brasil, radicou-se no Rio, entrando para a revista Manchete em 1965. Foi editor-assistente (fundador) da revista Veja (1968-69), em São Paulo, e no Rio, editor de Fatos & Fotos (1969-70), Manchete (1975-1999), Ele & Ela (a partir de 1999) e editor de Projetos Jornalísticos da Bloch a partir de 1996. É autor dos livros Mao e a China (1968), Rock / O grito e o mito (1973), O que é jazz (1983), Rock / Do sonho ao pesadelo (1984), Jazz / Uma história em quatro tempos (19185), Rock / De Elvis à Beatlemania (1985), Rock / Da utopia à incerteza (1985), Blues / Da lama à fama (1995), A revolução dos Beatles (1997), New Jazz / De volta para o futuro (1999).
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